Fato ou Fake: como funciona a urna eletrônica e quais são as principais #FAKES sobre ela

Mensagens falsas afirmam que a urna não é auditável e que pode ser hackeada ou corrompida por programas pela internet.

Não tem como falar em eleição sem falar em mensagem falsa – e as urnas eletrônicas são o maior alvo da desinformação durante a campanha eleitoral. Há mensagens que afirmam que as urnas não são seguras, não são auditáveis, são grampeadas, hackeadas, fraudadas – tudo #FAKE.

Várias mensagens que circulam nas redes sociais dão a entender que, assim como um hacker pode invadir a conta bancária de uma pessoa e roubar o dinheiro, ele também poderia invadir a urna eletrônica e alterar os votos das eleições. Isso é #FAKE.

“As urnas eletrônicas não são conectadas na internet. O equipamento sequer tem essa possibilidade. A urna, os votos são computados em um flash card. (…) Não tem como inserir nada. Só roda o software oficial do TSE, que tem os nomes e números dos candidatos e que, portanto, recebe o voto do eleitor”, explica Vitor Marchetti, cientista político e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Marchetti ainda explica que existe uma série de passos no dia da votação que garante que o processo seja seguro.

“Antes de abrir a sessão eleitoral, imprime-se uma folha pra mostrar que a urna está vazia, que não tem voto nenhum para ninguém e que ninguém conseguiu alterar a urna”, diz o professor. “Depois, cada pessoa vai votando e, ao final da votação, imprime-se o boletim de urna, que tem os dados daquela urna.”

“As informações da urna são passadas pra uma central do TRE, que envia essas infos para o TSE por uma intranet, um sistema de transmissão desses votos pra que eles sejam computados pelo TSE no Brasil todo. O que o TSE faz é computar os votos de cada uma dessas urnas, e cada urna é um equipamento isolado, eles não têm conexão entre si”, diz Marchetti. “Se alterar algo nesse processo, vai ser identificado, porque você pode confirmar os votos de cada urna e tem que bater. É possível checar, é possível auditar os votos. Inclusive, esses boletins de urna ficam disponíveis no site do TSE”, afirma Marchetti.

A explicação de Marchetti também desmente uma outra mensagem falsa que circula bastante nas redes sociais: a de que a apuração dos votos das eleições acontece em uma sala secreta do TSE.

O computador que processa a totalização dos votos fica em uma sala bem conhecida, chamada sala-cofre, que é protegida e monitorada 24 horas por dia para garantir a segurança.Mas não é nessa sala-cofre que os técnicos do TSE acompanham e divulgam os votos. Essa equipe de totalização de votos fica em outra sala, que é aberta para representantes de entidades fiscalizadoras, como o Ministério Público, a OAB, a Polícia Federal e os partidos políticos.

“Não existe sala secreta do TSE. Muito pelo contrário. A totalização é uma. É um processo de somatório, de parcelas que já se conhece [através dos boletins de urnas]. Se essas parcelas já são conhecidas, qualquer um, qualquer entidade pode refazer essa somatória”, diz Júlio Valente, secretário de TI do TSE.

Uma informação falsa também muito disseminada é a que afirma que as urnas não são auditáveis. Essa teoria diz que não é possível testar o funcionamento das urnas e dos programas que contabilizam os votos. Tudo #FAKE.

“Toda a lógica da urna eletrônica, todos os programas de computador que existem na urna eletrônica, eles são acompanhados, são auditáveis por um hall muito grande de entidades fiscalizadoras (…). Todos os partidos políticos do país [podem fazer isso]”, diz Valente, do TSE.

“Engloba o Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional, Forças Armadas, CGU, TCU, Ministério Público Federal, entidades de classe como CREA, a sociedade Brasileira de Computação é órgãos ou instituições de transparência.”

“A ideia é que tanto o projeto da urna eletrônica, a sua construção a a construção dos sistemas sejam auditável e fiscalizável por essas entidades”, diz Valente.

Além disso, Valente afirma que a urna também é inspecionada logo antes da votações, no que a Justiça Eleitoral chama de “teste de integridade”.

“Na véspera da eleição, a gente sorteia algumas urnas pelo país. Essas urnas são levadas até os Tribunais Regionais Eleitorais, passam o dia sendo filmadas e recebendo uma votação simulada. Ao final dessa votação, a gente compara o resultado da urna ou os votos simulados que foram inseridos durante todo o dia. Esse teste acontece desde 2002 e nunca deu nenhuma diferença”, diz.

Para não deixar dúvidas sobre a confiabilidade e segurança das urnas, os especialistas destacam um #FATO sobre os equipamentos e o sistema utilizado nas eleições: até hoje, nunca foi comprovada uma fraude nas urnas.

“A urna, a urna eletrônica em processo oficial, nunca foi fraudada. Não há absolutamente nenhuma comprovação de fraude no processo eleitoral brasileiro com urnas eletrônicas desde 1996, em contraste total com a realidade que nós tínhamos antes, com o processo em papel”, diz Valente.

“Historicamente, não há porquê questionarmos a urna eletrônica e os resultados eleitorais. Até aqui, a gente tem tratado com muita seriedade a condução dos processos eleitorais no Brasil”, diz Marchetti.

“Os políticos todos, que são eleitos por esse sistema, eles seriam os primeiros a apontar que há fraude e divergências nos resultados. (…) É simplesmente uma estratégia de desqualificar as eleições como estratégia pra se manter no poder caso seja derrotado das eleições”, afirma Marchetti.

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