Censo 2022 enfrenta ameaça de greve e desistência de recenseadores

Por Marcos Neruber

Nas ruas há pouco mais de 20 dias, após dois anos de atraso, o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) enfrenta ameaça de greves entre os recenseadores, milhares de desistências e dificuldade para contratar novos trabalhadores.

O déficit de recenseadores prejudica o andamento da coleta, que está abaixo da média nacional em estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, justamente as regiões onde o percentual de recenseadores contratados em relação ao número de vagas disponíveis é mais baixo.

O IBGE atribui a dificuldade de contratar às menores taxas de desemprego nessas regiões. Com relação às queixas dos trabalhadores, o instituto afirma que “os pagamentos aos recenseadores já foram regularizados em sua ampla maioria” e que demandas residuais estão sendo resolvidas caso a caso.

“O IBGE reconhece o papel fundamental dos recenseadores e dos outros servidores temporários para o sucesso da operação do Censo. Neste sentido, está atento às condições no processo de coleta e ao bem-estar destes servidores, respeitados os limites legais e orçamentário”, disse a autarquia.

‘Se não formos ouvidos, vamos parar’

Lucas Ferreira, da União dos Recenseadores, é um dos trabalhadores que participam da mobilização da categoria por direitos.

“A greve será em último caso. Estamos tentando um diálogo com o IBGE, lançamos uma carta aberta ao presidente nacional da fundação e estamos pedindo que o instituto olhe para nossa situação”, diz Ferreira.

“Mas, realmente, se não formos ouvidos, pretendemos fazer um movimento paredista, um movimento nacional”, afirma.

Segundo o representante, os três principais problemas enfrentados pelos recenseadores são atrasos nos repasses do auxílio-deslocamento, demora no pagamento por setores já concluídos pelos recenseadores e atraso na remuneração referente ao período de treinamento.Os recenseadores também afirmam que falta clareza com relação à remuneração.

A remuneração da categoria é variável, dependendo do número de entrevistas e horas trabalhadas. Eles só recebem após a conclusão de cada setor, que passa por uma supervisão antes da liberação do pagamento, num processo que pode levar até 15 dias.

“Quando começamos a trabalhar, eles vieram com um regra que não tinha, que para podermos receber precisamos ter 95% de conclusão [do setor]. Meu setor são 600 domicílios, então se eu não fizer 570, eu não recebo meu dinheiro. Parece uma cilada para não pagar a gente. Sempre tem uma desculpa”, reclama o trabalhador temporário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.