Brasil ocupa penúltima posição em ranking global de aposentadoria

O Brasil é o penúltimo colocado em ranking global de aposentadoria com 44 países, à frente apenas da Índia, segundo levantamento da Natixis Investiment Managers. O estudo leva em consideração quatro pontos principais para definir onde o aposentado vive melhor: saúde, finanças, qualidade de vida e bem-estar.

O Índice Global de Aposentadoria Natixis começou a ser feito em 2012 e engloba os países com economia desenvolvida e os que fazem parte dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).

Segundo o estudo, em 2022, a crescente inflação é o que contribui para a má qualidade de vida dos aposentados, seguida pela alta de petróleo, alimentos e habitação, que têm corroído o poder de compra dos mais velhos.

O país que lidera o ranking é a Noruega, seguido por Suíça e Islândia. Três países da América Latina estão melhor colocados: Colômbia, México e Chile. Todos deles, porém, com baixo índice de bem-estar na aposentadoria, abaixo de 40%. No caso do Brasil, o índice é de 4%.

Por outro lado, o Brasil ocupa o primeiro lugar em taxas de juros e o quinto em dependência dos aposentados de serviços públicos na velhice.

O relatório aponta que a inflação em alta deve ser um foco de preocupação para os futuros aposentados, que vão precisar se organizar financeiramente ainda mais, buscando investimentos que garantam qualidade de vida.

Para Adriane Bramante, presidente do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), o estudo demonstra a defasagem do valor do benefício previdenciário no Brasil, apesar da correção anual com base na inflação.

“O benefício está sendo corroído pela inflação, pelos índices inflacionários mais altos a cada ano, ficando cada vez mais defasado. É triste ver o Brasil no 43º lugar num ranking de 44 países”, diz ela.

Análise feita pelo IBDP, no entanto, aponta que a situação poderia ser pior para o país, caso não tivéssemos passado por dificuldades que alguns estão enfrentando somente agora. “Importante ressaltar que o Brasil é um dos países que mais lida bem com impactos inflacionários, por todas as experiências terríveis vividas no passado, em especial na década de 1980 até meados da década de 1990”, diz.

Para Emerson Costa Lemes, diretor editorial do IBDP, há pontos estudados no ranking que não afetam de forma tão direta os brasileiros, como a alta nas taxas de juros, que impacta países onde há capitalização na Previdência.

Segundo ele, o que “derruba” o Brasil na lista é desigualdade de renda. “O estudo abrange apenas grandes economias. Países menos ricos não fazem parte da lista. Então, considerando os 195 países existentes atualmente, estar em 43º lugar não é a pior posição do mundo; por outro lado, estar atrás de Chile, México e Colômbia é, sim, bem triste.”

ENDIVIDAMENTO

Tonia Galetti, coordenadora do departamento jurídico do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados), afirma que, atualmente, os aposentados brasileiros estão vivendo com muito mais dificuldades.

“Está tudo muito caro, e as pessoas da família hoje precisam mais da ajuda dos aposentados do que já precisaram, então o que já era pouco fica ainda menor. Esses números só revelam o que as pessoas já vivem e sabem no seu dia a dia”, diz.

Ela aponta ainda o endividamento da população em geral, especialmente dos mais idosos, como outro fator que impede uma boa qualidade de vida na aposentadoria, e sem perspectiva de melhoras no curto prazo. “A gente tem visto também um alto número de aposentados endividados com itens básicos de sobrevivência.”

Em nota sobre o Índice Global de Aposentadoria, desenvolvido pela Natixis Investment Managers e pela CoreData Research, a empresa afirma que o objetivo é “examinar os fatores que impulsionam a segurança da aposentadoria e fornecer uma ferramenta de comparação para as melhores práticas na política de aposentadoria”.

Segundo a empresa, os dados apresentados têm como base a opinião dos pesquisados e, com isso, podem sofrer alterações de acordo com o mercado e outras condições. “Não deve ser interpretado como aconselhamento de investimento”, diz.

FONTE: Folhapress

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