No centro de Parnamirim, o luxo e o lixo disputam espaço por conta da omissão do poder público

DESCASO CONTRA O PATRIMÔNIO: Prédios abandonados estão sendo ocupados por moradores de rua, drogados e marginais que aproveitam as ruínas pra praticar ilícitos. Além disso, é uma afronta a história do município.

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Pontualmente ás 5h da manhã começa a bebedeira no prédio que já foi o Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte – BANDERN, são moradores de rua que por diversos motivos deixaram suas famílias para perambular/morar em prédios em desuso na terceira maior e mais rica cidade do estado. A falta de assistência social pelo município é apenas a ponta do iceberg.
Um cidadão que vamos preservar a sua identidade, disse que além de tomar cachaça, é usuário de “pedra” se referindo ao crack e que não tem esperança de mudar de vida. “Estamos lascados, não existe esperança pra nós que vive assim. A minha família fez de tudo pra mim mudar, mas não consegui, acho que desistiram de mim”, lamenta o pobre homem que disse ter 46 anos de idade e era servente de pedreiro.
Outro depoimento marcante é de um senhor com 62 anos que diz perambular pelo centro da cidade desde 2020. Ele confessa que já praticou pequenos delitos, mas que não é isso que queria pra sua vida, é viciado em bebida alcoólica e cigarro. “Eu não usei droga nenhuma vez, bebo e fumo todos os dias, já tive mulher, mas não tenho filho e não sei quando vou me aposentar. Estou aqui com eles porque é como se fosse minha família”, ele não quis dizer de qual cidade era antes de chegar em Parnamirim.
A situação destes dois moradores de rua é o retrato do quadro desumano que se tornou banal no coração da cidade “Trampolim da Vitória”. Eles estão por toda a parte: na calçada da igreja matriz, no antigo prédio aonde funcionou o gabinete do ex-prefeito Agnelo Alves no início dos anos 2000; no antigo BANDERN e também no ex Fórum Otávio Gomes de Castro, ao lado do Parnamirim Shopping.
Da frente do seu comércio, um empresário da avenida Brigadeiro Everaldo Breves, disse que perdeu as contas de quantas brigas presenciou nos últimos anos entre esses moradores de rua e drogados, que travam verdadeiras batalhas para ver quem é “dono” desses espaços públicos abandonados pelas autoridades. “Hoje mesmo vi um indigente tomando banho só de cueca num balde improvisado, depois se deitou e tomou banho de sol, isso é a degradação da paisagem do centro da cidade, não vou filmar porque tenho medo de ser atacado ou marcarem minha loja, pois no meio deles tem umas peças que não valem nada”, criticou.
O JORNAL DO ESTADO percorreu alguns desses lugares para comprovar “in loco” o que todos da cidade já sabem: total descaso dos governantes, seja do âmbito estadual, seja municipal e privado, como é o caso do antigo prédio aonde funcionava a fábrica da Botton, que por conta de uma disputa judicial entre os proprietários e a Prefeitura está entregue ao caos, servindo de moradia para desocupados, se transformou num matagal e amontado de lixo com homens-zumbis que circulam livremente em suas instalações já muito deterioradas. Olhando em volta dos prédios, o que se ver são vidas humanas andando para lugar nenhum, moradores de rua jogados no meio do lixo, drogados lavando roupa e tomando banho de água suja, a praça da Paz de Deus aonde está igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima, nem de longe é o pior exemplo de abandono. Enquanto isso, religiosos pregando pra ninguém, carros de luxo que se misturam com o lixo, em volta do antigo Fórum, o mato vai crescendo chegando até a calçada, pedaços de papelão que servem de cama, restos de cobertores jogados no chão com um odor insuportável, aonde muitos dormem durante as noites sombrias de uma gente que vai padecendo diariamente sob as bênçãos de alguns senhores que gritam, que esbravejam, que clamam “Jesus está voltando, venha para igreja e salve a sua alma”, ou políticos que vão pra redes sociais mostrar suas dentaduras sorrindo de ponta a ponta como se nada estivesse acontecendo, mas que no fundo no fundo, estão é preocupados mesmo é com suas vidas e de seus familiares que estão servindo ao poder dos homens e não de Deus.
Até quando essa dura realidade vai continuar? Até quando o luxo e o lixo vão continuar sendo o cartão postal do centro de Parnamirim? Até quando vão dilacerar feitos urubus o que ainda resta da história de Parnamirim? O coração de PARNAMIRIM sangra sem parar…

Por Genilson Souto – Jornalista.

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